Para descontrair (mas prestem atenção!!!) assistam o vídeo abaixo:
Marco Luque, um gênio cuja sagacidade se mantém, em grande parte, incompreendida por nós, reles mortais, faz uma brilhante analogia entre uma megalópole e um organismo vivo, onde “... as avenidas são as artérias, as ruas são as veias, com os glóbulos vermelhos indo e vindo”.
Mas se, no cinema e na TV, a vida imita a arte, em Gaia “a vida imita a vida”.
Uma célula é um organismo vivo, capaz de se auto-regular e de criar sua própria estrutura, assim como mantê-la, agindo ao mesmo tempo como um ser único e também como parte integrante de um “todo” maior. E assim também é um tecido, ou um órgão, um sistema, um organismo (com suas artérias e veias), um grupo, ou até mesmo uma sociedade (com suas avenidas e ruas), todos têm sua autonomia, mas ao mesmo tempo são sempre parte de algo maior, completando um entrelaçamento de interações através de complexas redes.
Agora, por enquanto, abstraiam um pouco o vídeo e prossigam no Post:
Aproveitando a polêmica sobre Gaia representar, literalmente, que a Terra é um organismo vivo (ou não), colocarei um pouco mais de lenha na fogueira.
Bom, porque a Terra não pode ser considerada um organismo vivo?
Conforme vimos no Post anterior, há muitas analogias possíveis a serem feitas entre a Terra e um ser vivo qualquer.
A Terra tem seus elementos que a mantém saudável, assim como temos nossos anticorpos. Ela tem seus sentidos que garantem a “re-alimentação”, assim como temos tato, olfato, paladar, visão e audição. Dá sinais de fraqueza e desequilíbrio, assim como temos febre e dores. E, como todo e qualquer ser vivo, pode adoecer, pode não conseguir ser mais forte do que os males que a afligem. Então porque ela não pode ser considerada um organismo vivo???
Porque ela é composta de mais matéria “morta” do que viva?
Mas quanto de nosso corpo não é matéria morta? Cabelos, pêlos, unhas, pele já morta etc. E o que se pode dizer de uma árvore, por exemplo? Quantos % de sua composição não tem vida? Ao que me consta, 97% da madeira constituinte de uma árvore é madeira “morta”. E o que dizer de uma água viva? Até 98% só de água!
Também se pode alegar que, ao contrário do caso de organismos vivos, a pouca vida que há na Terra são vidas independentes, não têm suas funções voltadas para o bom funcionamento da Terra.
Mas, será que não mesmo? Organismos vivos e não vivos trabalhando em conjunto para regular os gases da atmosfera terrestre, regular sua temperatura; plantas captando energia da luz e transformando em energia consumível pelos outros componentes deste organismo maior; tantos elementos trabalhando em conjunto, o que um consome o outro produz e vice-versa; e, além do mais, tudo isso forma um ciclo perfeito... por que isso não poderia ser considerado vida?
Além do que, nossas células também têm sua autonomia não têm? Pelo menos até certo nível. E existe também o caso das esponjas do mar que, a nós, parecem um ser único, mas suas partes têm alto grau de independência.
Uma coisa é inegável: o ser humano parece ter a clara capacidade de contrariar a todas as tendências e padrões, parece desafiar até mesmo a lógica. Mesmo dependendo da Terra, muitas vezes prefere não se dar conta disso e continuar com sua destruição, sendo assim, talvez realmente sejamos corpos estranhos nesse organismo chamado Gaia.
E, sendo assim, cabe agora rememorarmos o grande filósofo urbano (mesmo título dado a Glauco “Pesgalo”, que tantos Comments tem deixado no Blog) Marco Luque:
Afinal, o que somos nós??? Bactérias? Vírus? Ou Lactobacilos vivos???
É hora de decidir!!! ;D